Liduina do Nascimento

Rascunho do tempo

 

 

 

 

Rascunho do tempo

 

 Às vezes olhando da minha janela,
 num silêncio íntimo tão meu, encantada  com a noite,
 ainda procuro algumas estrelas, e as encontro,
 são aquelas que com carinho guardei
 para as minhas noites de total solidão.
 Quando sinto saudades delas, retorno
 aos caminhos conhecidos, esquecida de mim,
 perco o meu olhar, guiado por tantos mistérios.

Nada sei sobre as estrelas,
 exceto por tê-las como páginas 
 da minha vida, antes queria compreendê-las,
 relia nelas, tolas histórias criadas por mim.
  A minha alma sonhadora, traduzia seus brilhos,
 inocentemente até lhes dava nomes,
 sem confundir-me ou confundi-las,
 quando se escondiam por entre  as outras.

 A cada estrela que eu folheava,
 guardava dentro de meu coração a ilusão de que,
 havia um mundo diferente.
 Cedo, soubesse eu que a felicidade não é uma história,
 e que os sonhos que eu buscava nas estrelas,
 era um brilho fúlgido que me ofuscava.

 Teria eu usado menos a imaginação, 
 para não me perder no incompreensível.
 A felicidade não é um livro,   mas
 fragmentos dos nossos instantes de vida.
 Sou hoje uma estrela por dentro fria,
 minha alma tenta fechar,
 os meus olhos que aprecia o instante
 que alimenta o meu existir,   
 nas tristes lembranças delas, 
 escondidas nos mistérios da minha alma.
 A minha estrela preferida, tem nome.

 Elas num todo, são rascunhos do tempo,
 são rastros de sonhos incríveis que tive, deixados para trás,
 porque hoje eu apenas gosto de contemplar
 da minha janela, as estrelas irreais que restaram. 

 

Liduina do Nascimento

 

 



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