Paulo Roberto Varuzza

XXIV POEMAS DE UMA SAGA DE AMOR


Aviso de ausência de Paulo Roberto Varuzza
NO

I
Num pequeno vaso em meu coração,
Ao lado da flor que era ela
E à sombra dela,
Floresceu o amor,
Que já nasceu amando aquela flor,
Imenso e forte,
Mas com ele veio também a tristeza,
De não ser amado.
A vida é eterna,
Quando o amor floresce,
Mas vem a angústia e o mata
E a vida, que poderia ser feliz,
Contudo não morre:
O que era eterno,
Tem seu fim,
Leva ao fim de tudo,
Só ficam a solidão
A mágoa e a tristeza.

II
Uma figa de ouro eu dei a ela,
Como lembrança minha,
A imagem dela,
De tão bela que era,
Bastava para mim;
Não podia esperar nada,
Nem um simples sorriso,
De quem não amava;
Veio de seus lábios o nada de amor,
Você não amava e não pretendia amar;
Não havia ternura em seu olhar,
Nem em seu coração,
Ele simplesmente batia.
A frieza perversa da razão.
Fogo pálido de inverno,
Não aquece a alma.
Mas eu te não soube amar.

III
Como eu te amei!
Mas eu te não sabia amar:
A tua sombra persegue-me
Como um fantasma que assombra
A minha alma.
A tua figura sempre linda
Traz-me à lembrança
O sofrimento de imaginá-la
Nos braços de outro.
Tudo abandonei por não te saber amar,
O tempo passou,
Mas a tua imagem está eternamente gravada
No mais profundo do meu coração.

IV
Amor solitário,
Tal qual um abutre claro como os olhos dela,
Voa alto disparando as suas flechas certeiras,
Sangue, morte, solidão
Quando se sente só numa noite fria de inverno,
Gente sem abrigo, de teto e do amor.
Olhos claros e cabelos cacheados angélicos,
Boca reluzente que esconde a maldade.
É triste que o amor escravize;
O coração enamorado não vê,
Só sente e incomoda a alma.
Amor solitário, rio seco e sedento
Pelas águas eternas.
Meu peito ferido pelas flechas do abutre,
Marcado pela recordação do rosto dela.
Dói e arfa de saudade dela.

V
Escravidão do amor pode ser doce.
Tropeço, queda, coração sangrando,
Sofrimento, alma vazia,
Tristeza em não se ser amado,
Dor que se sente ao ver árvores cortadas,
Amor cortado por um olhar que não tem ternura;
A imaginação não nos abandona,
Nem a tristeza, nem a saudade, só o amor.
O amor não se compra.
A luz do dia não ilumina o caminho,
A escuridão da noite traz saudades.
Os olhos de mel brumosos, nunca mais,
Os cachos escondem perversidade.
Vontade de abraçá-la, ficou só no desejo.
Transborda a tristeza no coração sangrando
Escravidão do amor pode ser amarga.

VI
A pele branca dela,
Os cachos claros dela,
O amor que eu tinha por ela,
O silêncio dela,
E a vontade que eu tinha de abraçá-la,
Eram grilhões suaves,
Que me prendiam a ela,
O meu desejo, sufocado pelo amor,
Era tênue e pegajoso como uma teia.
A escravidão do amor feria-me;
As feridas causadas pelos grilhões
Eram tristes como um dia sem luz
E a escuridão da noite era eterna,
Não surgia o sol nem a lua,
Eles tinham vergonha de iluminar o meu amor,
As nuvens escuras que pairavam sobre ele
Eram tenebrosas.
As feridas imensas e magníficas
No meu coração
Tinham o rosto dela.
Tatuados nelas,
Para eu me não dela esquecer.

VII
O amor áspero e obscuro que eu sentia por ela
Levou-me à solidão tal qual uma noite escura, sem lua.
Ele feria a minha alma com seus dentes amarelos
E com suas unhas medonhas;
O calor do dia não vinha para aquecer meu peito amargurado;
Um pouco mais e a angustiante loucura,
Fruto da árvore espinhosa de um amor solitário,
Nasceria do nada feito uma onda do mar,
Que quebra e morre na praia ou nas pedras;
Um pouco desta loucura de olhos vermelhos
Nasceu, mas logo morreu.
O adeus dito a mim por ela matou-a e libertou-me,
O medo de viver sem ela
Morreu na claridade do dia
Em que ela me disse adeus.

VIII
O meu amor por você era luminoso e virtuoso,
Mas era triste e solitário.
Você não tinha sexo e nem seu corpo de mulher causava-me desejo,
Sua figura de querubim,
Rosto arredondado, cabelos cacheados e pele clara,
Levava-me a crer que a perfeição estava ao alcance de minhas mãos,
Os querubins são puro amor,
Mas você se recusava a me amar.
Sofrimento, dor, angústia;
Eu amava quem não me amava,
Onda do mar nascendo com o vento
E morrendo na pedra dura
E assim morreu o meu amor:
Olhando para você,
Sem vento nem pedra,
A falta de ternura o matou.
Como deveria ser terno o seu abraço
Que eu nunca tive.

IX
Você não tinha corpo,
Meus olhos enamorados viam apenas uma figura angélica,
O meu amor, feito uma onda, é que a conduzia na minha imaginação,
Mas morreu na praia virtuosa e próxima,
Ou afagando as pedras
Seus seios e seus beijos deviam ser aconchegantes e carinhosos,
Eu nunca soube.
Sua pele alva, seus olhos claros, sua boca úmida
E seus cabelos cacheados,
Eram suaves,
Meus olhos viam,
Apesar de embaçados pelo amor.
O desejo não me acompanhava
Quando eu estava com você ao meu lado.
Os demônios, maldade pura, também são anjos.

X
Você negou o amor,
Um véu impenetrável,
Envolvia o seu coração,
As minhas juras de amor,
Batiam no véu
E caiam no chão
O amor por mim não nasceu nele,
A razão foi vitoriosa
E maliciosa.
Mas o amor dá vida ao corpo,
E aí a alma sai para amar,
Mas o amor solitário não traz alegria ao coração,
Só amargura e tristeza.
Silêncio eterno na tumba do amor.
O céu, distante e amplo,
Fica inatingível.
Melhor a solidão.

XI
O seu coração não me amava,
Eu frequentava o seu entorno,
Para sentir a solidão que eu sentia ao seu lado
E para te ver,
Como doía a sua companhia,
Mas eu te queria ao meu lado,
Sempre, eternamente.
Seus olhos de mel embebiam de sabor líquido e doce a minha alma,
Seus cachos angélicos cravaram as suas garras no meu coração,
A sua pele branca escurecia o meu olhar
E eu te adorava,
Eu te amava.

XII
Onde tu estás,
Que não escutas os meus gritos?
Há muito tempo, quando me arrebatou a nostalgia,
Eu te procurei na tua velha casa, hoje vazia, sepulcro do amor.
O meu coração não está mais vazio,
Como ficou quando tu te cansaste das minhas juras de amor.
Procuro, procuro e procuro;
Vou morrer sem ouvir a tua voz mais uma vez
E sem te ver;
Deixe-me amar novamente sem a tua sombra assombrando-me,
Eu imploro;
Só há vida quando se ama,
E a minha vida continua viva,
Mesmo distante de você.

XIII
Foi a última vez que eu a vi,
Cachos claros,
Emoldurando o rosto lindo dela,
Olhos com a cor do mel,
Que até o céu invejava.
Mas sem a doçura do amor,
Eram duas espadas que feriam e causavam muita dor
Com calças jeans apertadas e blusa larga,
Foi isto que os meus olhos fotografaram,
A pedida do meu coração apaixonado
Mas desconfiado do adeus
E é assim que ela está na minha memória,
No seu retrato está também o seu silêncio,
Sem palavras
Mas eu achava que o meu amor fluía pelo ar até ela,
Não, engano, o ar estava carregado com a distância dela,
Os meus olhos só a viam e pediam socorro,
Que ela negou com o seu adeus;
O véu imaginário entre mim e ela
Escondia a razão dela que estava entre mim e ela,
Assim como o coração dela estava surdo às minhas juras de amor,
Mesmo a levando até um jardim
Onde eu colhi uma flor vermelha para ela,
Mas ela desprezou a flor e o meu amor
E eu sofri,
Porque eu a amava.

XIV
Minha alma sofreu quando meu coração
Percebeu que você estava indo embora.
Eu sonhava sonhos com palavras de amor saindo dos seus lábios,
Mas foi só sonho;
O seu silêncio machucava a minha alma;
Paixão minha, eu nunca tive nem o seu pensar;
As aves noturnas voam sempre assombrando os adormecidos;
Você era uma ave noturna e eu estava adormecido,
Sonhando um sonho de amor, distante e impossível,
Você não me amava e não me queria amar,
Seria uma fraqueza subvertendo os seus desejos,
E você foi embora.

XV
Eu te amei tanto, tanto, tanto…
Que esse amor não cabia no meu pequeno coração
E foi para a amplitude do céu, ninho do amor;
Ele simplesmente aconteceu,
E você o alimentava com a sua razão.
Eu, ao seu lado, era só amar,
Mas a razão dominava você.
Querubim celestial e imaculável,
Que eu amava tanto;
Assim e só assim eu queria enxergar você.
Eu e o meu coração choramos amargamente e silenciosamente
Quando você foi embora com outro,
Que podia dar a você o que você desejava.
E eu to não podia dar;
As lágrimas do meu coração foram por demais amargas e silenciosas,
Que doíam na alma ao escorrer por dentro de mim,
Misturadas com sangue que é vida
E o anestesiaram por um tempo,
Tempo de esquecer você.
Inatingível e inesquecível amada
Ao alcance do meu braço;
Porém intocável;
Só os meus olhos tocavam você com um olhar de amor;
E a sua figura foi tatuada em meu coração,
Então você sempre volta.
Eu te amei tanto, tanto;
Que eu só queria o que você queria;
Espero que tenha sido feliz,
Como eu fui feliz,
Longe de você.

XVI
Como o seu silêncio era sepulcral,
Eu também me calava
E o barulho do bater de nossos corações
Dominava o ar e se fazia presente,
O meu batia rápido de esperança enamorada,
O seu de incômoda ira,
Desconfortável ira,
Mas só eu o ouvia,
Porque eu não estava ausente.
No seu silêncio sepulcral
O meu querer era te abraçar,
Mas você estava ausente;
Longe, muito longe dali
Estava a sua alma
E ela, lá de longe, não escutava minhas súplicas
Sempre implorando por seu socorro.
Para que a minha alma sobrevivesse ao silêncio esmagador,
Que, como um véu de ouro impenetrável, blindava a sua alma
E os meus gritos murmurados não a atingiam;
Como eu queria que você, mesmo distante,
Ouvisse-os.
Nunca te desejei, só te queria,
Você era simplesmente sombra na rocha,
Que quando iluminada vira um nada.
Como eu te queria!
Como eu te amava!
E o seu silêncio e a sua ausência fulminaram o meu amor,
Destrambelhado amor,
E os meus olhos ficaram cansados de te ver,
Ausente, eternamente ausente.
O meu amor morreu,
Mas deixou feridas como herança
Que o tempo, sempre o mágico tempo,
Fechou,
Mas as cicatrizes têm o seu rosto
E são indeléveis,
Só se apagarão quando os vermes alimentarem-se da minha carne,,
Então, da sepultura eu te direi
Adeus.

XVII
Passada a tempestade, já que você foi embora,
Vento, raios flamejantes, água fria
Que lavou um coração atormentado por um amor solitário,
E trouxe a vida novamente.
Em meio à vida que ressurge e ao ocaso da morte,
Eu vejo o seu espectro andando para longe.
Mas a sua imagem permanece gravada em meu coração.
Obrigado por me ter deixado,
A escuridão dissolve-se como o orvalho ao sol que rebrilha,
Minha alma era como uma casa vazia e abandonada.
Ruía devido à sua falta de amor,
Mas reviveu.
Obrigado por me ter deixado.

XVIII
O seu retrato no meu coração vazio
É o que me restou depois que você se cansou de mim;
O amor que eu tinha por você,
Hoje é só lembrança,
Lembrança da esperança que você me amasse.
Como eu te não soube amar,
Só me resta a lembrança,
Do seu rosto, do seu cheiro e da sua imagem
Que ficaram gravados no meu coração,
Para sempre.
Como eu me arrependo
De te não ter sabido amar,
Como doía e ainda dói.

XIX
Finalmente veio a chuva,
Matando a aridez de uma alma atormentada por um amor solitário;
Veio o sol e o solo antes triste e estéril
É agora fecundo novamente,
A luz trouxe também claridade,
Matando as trevas de um coração escurecido;
A noite virou dia eterno
E a lua foi embora para sempre,
Lua que não brilhava nem iluminava,
Lua da escuridão,
Lua da angústia,
Lua vermelha.
O sangue chegou a escorrer da ferida da alma,
Adeus sem fim meu amor.

XX
O imenso amor virou um grande bem querer,
Muitos anos passaram-se
Desde o sofrimento do um amor solitário,
Hoje, num dia de luz clara e reluzente,
Eu só posso querer que você tenha sido feliz.
A sua figura sempre jovem e bonita,
Como quando eu a conheci,
Permanece gravada no meu coração;
É uma pena para mim
Que eu não tenha possuído o seu amor;
Triste como fonte que secou;
O que foi paixão um dia
É só saudades.

XXI
Nunca provei o seu gosto,
Mas se ele era o gosto de sua alma,
Ele devia ser amargo.
As minhas e as suas rugas
Demonstram que o tempo passou
E com ele se vai longe a sua imagem,
Tal qual ficou gravada em meu coração.
O amor é eterno,
Mas o que eu tinha por você
O tempo apagou e ele também se foi;
Murchou como uma planta sem água,
Que alguém se esquece de regar
E dar-lhe vida.

XXII
Você me proibiu de te amar
E o meu coração, que já estava gerando em suas entranhas um amor grande,
Chorou amargamente.
E veio a angústia
De amar você;
Tormenta, raios e trovões pairavam
Sobre o meu pobre coração
Que cometeu o pecado enorme
De amar você
Com um amor tão grande,
Enorme que até doía no peito;
Mas o seu coração estava fechado pela razão
E as flechas de amor disparadas pelo meu coração,
Doente e enfraquecido pela paixão,
E as minhas juras de amor
Não o atingiam devido à sua distância.
Fiquei só e triste,
A minha razão tornou-se irracional;
Você tinha medo do amor,
Como eu tinha medo de você;
Mas eu te amava muito e muito;
A falta de te ver sempre
E ouvir a sua voz sempre
Mataram o que não devia ter nascido
E eu esqueci você;
Adeus mais uma vez,
Agora sou eu que te digo.

XXIII
Eu vivi sem você,
Apesar de tê-la amado, você não me quis,
Eu era pobre e subjuguei o amor,
Que já nasceu predestinado à solidão.
Os seus brotos ainda tenros, também morreram na solidão,
O céu fechou-se e não há mais abrigo;
A fúria de mar de seus olhos de mel vagarosamente
E silenciosamente rompe os meus sonhos
E a cadeia que os prendia a você não existe mais.
Com o amor de quem me ama, eu vivi sem você.
Os meus ramos estão dando frutos.
Você só me lembra amargura e solidão;
Eu vivi sem você, escorregadia,
Gloriosa, fria e escura, como um túmulo,.
Alma estéril, estátua de mármore, imóvel,
Que corria do amor.
Assassina do amor.
Flor no meu coração.

XXIV
Depois de tanto tempo sem pensar em você,
O seu espectro maligno volta a rondar a minha mente,
Felizmente não ronda o meu coração,
É uma tentação demoníaca
Que eu vou vencer;
O tempo passou,
Você envelheceu e eu envelheci,
As rugas indeléveis no meu e no seu rosto
Acompanham as cicatrizes no meu coração
E numa delas está gravada a sua imagem,
Conforme eu a via com meus olhos enamorados,
Farol da alma,
Que foi apagado por um tempo pela sua negação do amor,
Agora a razão domina o meu ser,
Eu não mereço, você não merece a infelicidade;
Eu não a amo mais há muito.
A liberdade de tantos anos
Só fez bem à minha alma.
Vá embora novamente,
Eu e a minha alma te pedimos;
Liberte-me de uma vez por todas;
O imenso amor que eu tinha por você morreu.



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