Junior

Alma vagante

Imerso no sepulcro d’alma;
Perdi a calma e me vi aflito;
Como quem vive em labirinto;
É o instinto de seguir a luz alva;

 

Sinto nos ossos a palra e  a frieza ;
E a certeza de um final se revela;
A mão gela e o peito adormece sobre a mesa;
Postura retesa de quem a morte espera;

 

A lucidez perdeu-se no limbo;
E rabisco sombras de um pensamento arredio no papel das lembranças;
Como passarinho que faz tranças no ninho;
Assim criei meu nicho e apeguei-me as esperanças;

 

Hoje sou sombra e penumbra;
Uma parte murmura inquieta;
Outra incerta vislumbra a procura;
Uma busca incessante e sem meta;

 

Não que a vida tenha sido incompleta;
Posto que na descoberta tracei observação;
No silêncio do porão das ideias;
Onde antes era multidão;

 

Findam os caminhos percorridos;
No tilintar da canção derradeira;
Supri-me de abraços comprimidos;
Das tardes em que passeava na feira;

 

Estas serão as lembranças costumeiras;
Que aconchego no silenciar das vozes;
Na contramão do que dizia a parteira;
Hoje não se ouvira choro nem tampouco os sequazes.

Comentários2

  • Bird

    Sem palavras para tamanha criação!Parabéns!

    • Junior

      Grato por sua visita estimada poetisa. É uma reflexão que fica, a licença poética é algo fantástico, pois nos permite criar reflexões sobre a vida. Creio que este seja o trunfo maior da poesia.

    • Rosangela Rodrigues de Oliveira

      Por um momento me senti uma alma vagante. Gostei do seu poema. Boa noite.

      • Junior

        Sou grato por vossa visita caríssima poetisa e o poema traz consigo o condão desta reflexão, ao menos foi este o meu objetivo. Nos propor uma reflexão sobre a vida. Gratidão.



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