Hoje levantei cedo para cortar cabelo
e resolvi por o pé na estrada
para desanuviar pensamentos.
Mas, parece que não adiantou nada!
Logo à frente, um burro me espera na cerca
e me dispus a bater um papo com ele...
Me ouvindo pacientemente
assistindo minhas queixas
me dando conselhos de asno.
Eu, debruçado em seu olhar, nada entendia
e me dei por conta, que o burro era eu!
Entristecido, segui meu caminho
Fazendo conjecturas, filosofando sozinho.
Burlei uma analogia da vida
como se fosse um barco a caminho
partindo de qualquer lugar... Qualquer porto
onde a vida de verdade, acontecia em meio ao mar
onde as batalhas se travavam... Ferrenhas
dando a vitória ao vencedor.
O perdedor, perdia o seu destinos!
E ainda que encontrasse um cais para aportar
ainda assim, traria uma tripulação derrotada
que passaria seus dias, tentando curar feridas
que não se curam... Não criam casca.
Essa é a vida!
E continuo na estrada, feito louco em disparada
conversando sozinho
e com os pássaros no caminho
Como se eles soubessem de mim.
Das minhas dores
minhas queixas... Meus lamentos
e, me enterro em pensamentos... Em silêncios.
Até que sou atingido por vozes
que cruzam comigo na estrada
advinda de humanos
que disputam as palavras
gritam.. E, não se escutam.
E penso se realmente o são
e me envergonho de também o ser
e da definição que o dicionário me aponta
e faz saber.
Então, abaixo minha cabeça
e continuo minha estrada em solidão.
E a barbearia ainda está longe
para poder aplacar meus pensamentos
nem que seja por um único momento.
Por isso, me prolongo à lá "Leandro" :
"continua"!
E vou continuando...
Até adentrar o asfalto e me sentir sem chão
o chão que meus pés tocavam... De barro!
Que trago preso comigo, na sola do sapato
Como parte de mim.
Logo a cidade me espanta com seus alaridos
e tenta estrangular meu silêncio
até meu peito estourar
até eu libertar meu grito
e expulsar meus temores...
Todas as cores, também me adentram
e me levam à imaginar infinitos...
E observo as vitrines das lojas
segurando calado, meu grito...
Os aventureiros como eu
que se esbarram no espanto da cidade
observando os seus letreiros.
E reconheço um deles:
lotérica!
E me atrevo a fazer uma fezinha
vai quê...
Mas, passo reto por ela.
Acho que minha fé era pouca... Era "inha"
e não daria em nada.
Entretanto
perdido no "quê" dos meus pensamentos
me pergunto em silêncio
quanto custaria um infinito.
E continuo seguindo
com mil coisas lamentando
ou inventado lamentos
até chegar no barbeiro
e tirar um peso da cabeça.
E chego
e entro e sento
e me quedo em sentimentos
até que o barulho da máquina quatro
vai abrindo caminho em meus pensamentos...
Logo, a tesoura vai devorando meus lamentos
e me calo do que penso.
até um outro eu nascer no espelho
e me trazer a certeza de que ele
sou outro.
Mas, meus pensamentos são os mesmos.
Minha fuga de imagem de nada adiantou.
Eu ainda sou quem eu sou.
Mas, não quero!
Por isso, me prolongo à lá "Severo"
que fica em mim dizendo:
continua!
E vou continuando...
Subindo à ladeira... Voltando
desfazendo a caminhada
como se apagasse as vitrines e os letreiros.
Recuperando a fé que quase perdir
nun sonho, por dinheiro.
E me liberto do asfalto
e toco meu eu de chão.
E me encontro com o burro na cerca
mas, fico calado
Porque o burro sou eu.
Mesmo assim, seu olhar me fumina
me repreende, me chama atenção
como se me passasse um sermão...
Como conselho de pai.
E sigo em disparada, tentando escapar do destino
dobrando a curva da estrada
ou dando de cara com ele.
E vou pensando tanta asneira, tanta besteira...
Como se eu tivesse encontrado
Um outro eu no caminho.
Então, apresso o passo, até chegar em casa
E chego
e entro
e sento no sofá
para tentar descansar pensamentos.
Minha filha mais velha
me cumprimenta com pressa, com o dedo em "V"
"V" que devolvo à ela
pois precisa correr, para buscar a mãe no serviço...
De moto.
Então, me levanto e abro a porta para ela
e me esqueço de dizer as palavras corriqueiras
que sempre digo, quando ela sai:
vai com Deus!
E volto ao sofá
e ligo a tv para assistir um filme.
Não demora e minha filha me chama lá fora.
Me espanto com a rapidez que ela foi
e grito à ela:
o portão tá aberto!
Mas, ela grita de volta:
eu cai!
Desesperado abro a porta
e encontro minha filha em aflição... Toda ensanguentada
sentada num banco de um carro... Toda ralada!
E me abrem feridas por dentro
e arranham meu coração de pai.
Mas, me contenho.
E parto com ela para o hospital.
E entre dores e sofrimentos
Deus mandou os seus anjos
que nos atenderam com jeito.
Logo, tudo estava acabado
nenhum osso foi quebrado
apesar dos arranhões e do sangue derramado.
Acho que Deus aliviou a queda com as mãos
mesmo quando esqueci de pedir a Ele
em oração.
Nesse exato momento, são 16h
e já estamos de volta do hospital.
É quando escrevo essa história real
que aconteceu comigo
quando saí de casa, só para cortar cabelo.
E agora tento finalizá-la e não consigo
pois o que me vem à cabeça é a deixa do "Leandro"
que fica em mim quase gritando:
continua!
E logo vou aceitando.
Mas, hoje não.
Hoje vou finalizando em oração
agradecendo a Deus pela intervenção
e pedindo outra graça para o dia seguinte.
Talvez, amanhã (espero) tenha continuação!
Satisfeito, Severo?
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Autor:
Fidians (
Offline)
- Publicado: 1 de maio de 2020 14:28
- Comentário do autor sobre o poema: Foi uma situação real, vivida por mim
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 16
Comentários1
surreal!
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