Jair Jr.

Porto dos amantes

Riso inquieto que destoa
E faz ruborizar a face
Qual um perfeito enlace
Feito cara e coroa

O amor nasce feito
Não é vacilante
Nem se da ao desplante
De ser desfeito

Era noite festiva a data
Em que eu a conhecia
Não se dizia bravata
Tampouco se permitia

Doces encantamentos
Era tudo bem medido
Desde o antigo cupido
Até o casamento

Porém, algo acontecia
Para além dos olhares
Era zumbi dos palmares
Que a terra descia

Concedendo-nos alforria
E distante da privação
Sem olhar de punição
Era o amor e euforiia

Era doce a melodia
A brandura em serenata
Feito nó que não desata
Era o coração que batia

Nisto ressoou a harpa
Em um solo fenomenal
Onde o tom descomunal
Ao ouvido não escapa

E o beijo espelhado
Fez da noite aparição
Em que o pobre coração
Se afogou atormentado

Na angustia e adrenalina
A carne estremeceu
O peito adormeceu
Como se fosse angina

As solas do sapato
Soavam nas costuras
Feito abotoaduras
De um terno engomado

Trajava calça e camisa
E apesar daquela brisa
O calor não se apartou
O peito acolhido suou

No calor dos amantes
Duas formas completas
Poetisa e poeta
A se amar no mirante.

Comentários1

  • Ema Machado

    Que lindo, poeta! Visualizei a cena e aplaudi… Parabéns,

    • Jair Jr.

      Eu quem agradeço a visita nobre poetisa. Tenha uma excelente semana. Obrigado



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