Isabela Fenix

Amor imprevisível

Sou bem calada e observadora
Observo e observo
Pelo pouco que já vi e escutei
Percebi que os seres humanos num geral, - ouso-, escondem muito mal os próprios sentimentos e pensamentos.
Seja num tique
Num piscar mais rápido do olhar
Um franzi da boca
Piscar e falar
Previsível e imprevisível
O ser humano é fascinante.
Recapitulando, sou a exceção e não a multidão.
Mal consigo esconder meus sentimentos.
Não consigo.
Se eu sinto, eu sinto.
Se eu minto, eu minto.
Não têm essa de meio termo.
Ou é oito ou dezoito.
Dez e desce no oito.

Sinceramente, não tenho medo de demonstrar meus próprios sentimentos, sou franca e sincera.
Se amo, amo num absoluto.
Ah, me jogo no abismo do amor.

-Sem botes de salva-vidas.

Não tenho culpa e nem me sinto culpada

De você
Por quê, você não.

Ama tão intensamente onde
As palavras lhe faltam
E na boca
As palavras vão ficando falhas
E a boca vai ficando seca, e olhos brilhando como faróis; numa rua escura.
-Ah, alumia e ilumina.

...minha alma...

Amor...

Não sinta medo
Não, não sinta receio de amar
Amar no topo
E se jogar do topo.

Balançando na beirada do precipício
Oh, doce é a morte!
Ela te deixa com os cabelos em pé
Oh, amor, balance e balance comigo.

Mergulhe como eu mergulhei
Naufraga como naufraguei

Me use
Me use

Ame sem medo
Eu amo sem medo

Porquê do receio?

Por quê?

Talvez,
Ele amou quando não tinha ninguém olhando.
Pequenos olhares furtivos
Ah, ela não percebeu.
O jeito que ele amava amá-la num silêncio.
No silêncio, as palavras apenas atrapalhariam
E por agora, o silêncio bastaria.
Olhando e desejando
Lábios trêmulos
Na ânsia
De dizer, um não sei, o quê.
Mas é que

Um eu
Num eu
Eu no seu eu
Um eu em mim
Que não estava em mim

....eu estive em você....
....eu estou em você....
Com você.

Ele nunca entendeu
E nem eu

Voando sem asas

Mim estava ali
Por dentro e trancada
Sozinha e desolada
Na espera
Olhando através da janela
Pela fresta; pálpebras semi-cerradas.

Esperando
Ele abrir uma fresta
Que mal era uma fresta
Ah, apenas pude sentar e observar calada
Calada
Calada com meu coração na mão.

Ele amando outra.

Por quê, então ele me olhou?
Amor, o amor é imprevisível.

Ele te ilude, somente para te deixar do lado de fora.

Morrendo, do lado de fora.

 

 

  • Autor: Fenix (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de Março de 2021 10:07
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 14

Comentários2

  • Maria dorta

    Amar assim pode ser até perigoso. A gente pode até perder o pescoço, se atirar num poço e não poder mais voltar. Pelo menos inteira,não estará! Poema intenso,visceral.

    • Isabela Fenix

      Grata pelo seu comentário! 😉

    • Ser Humano

      É próprio de qualquer "ser humano" sofrer, é com isso que se aprende, mas é próprio do poeta amar sofrendo e enquanto sofre vai-se lembrando das mais lindas melodias entre palavras para melhor poder sofrer. Obrigado pela sua bela melodia.

      • Isabela Fenix

        Eu que agradeço pelo seu lindo comentário! 😉



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