Marçal de Oliveira Huoya

Alemão

Que coisa estranha
Aqui sentado nesta cadeira
Uma montanha 
Não, não, uma ladeira 
Mas não me lembro desta rua
Onde a curva continua 
E agora
Nem sei a hora
Sempre entre desconhecidos 
Que me olham 
Como velhos amigos 
Falando coisas sem sentido
Como se fossem minha família 
Justamente eu
Com lembranças de uma ilha 
Sem laços, nem raízes 
Solto no espaço 
Sem lembranças 
De dias tristes ou felizes
Justo eu 
Que nem sabe quem sou
Do que aconteceu
Ou onde estou
Que há pouco estava perdido
Na porta do elevador 
E todos falavam comigo
Gentis demais pro meu gosto
Me tratando como um mendigo
Ah, mas aquele rosto...
Eu já senti esse toque
O cheiro deste perfume 
Me envolve, me atrai
Vai me abraçando 
Vai me chamando de pai
Me carregando a reboque 
Desfio os meus queixumes 
As queixas de costume
Mas que quarto bacana!
O mundo vai diminuindo de volume
Então entro em outro sonho
A solidão do sono
Deitado na minha cama...



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.