Victor Severo

Ilha.

 

Aceito o destino de dores e prantos.

Contudo não aceito fenecer.

E agir igual a você.

Que vive tramando nos cantos.

Que anseia por vencer.

Sem saber que sofre tanto.

E está sempre a perder.

 

Prefiro passar ao largo.

Quase nunca aparecer.

Fujo dos falsos afagos.

Evito me aborrecer.

Gente assim me desagrada.

Cheios de si, ocos de nada.

Que buscam somente o ter.

 

Caminhando em desacordo.

Com o que consideras normal.

O que a ti parece malogro.

A mim parece frugal.

Vivendo em triste doença.

Que defendes como crença.

Nada mais paradoxal.

 

Por fim deixa-me só.

Tua presença me atormenta

Vai-te embora, tenha dó.

Minha tristeza me alimenta.

Sozinho em minha ilha.

E os canalhas afugenta.

Junto com sua vil matilha.

Comentários1

  • Maria dorta

    " gente assim me desagrada
    CHEIOS DE SI OCOS DE NADA" Belo e sábios versos. Poema de um eu lírico de dar inveja. Chapéu!



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.