Fugir de mim eu sei: não o consigo,
Claro, o pensar pertence todo a mim;
Mas me pertenço ao corpo — meu jazigo,
Ao qual ligados somos até o fim.
O corpo e a alma em um só castigo,
A cruz a carregar, pois são, enfim,
Oriundos do mesmo antigo umbigo,
De igual identidade donde vim.
Fugir de mim... que vã e tola aragem!
Que eu tenha paciência em suportar
A cruz do fado, atado à vil bagagem
Carnal de finitude já marcada: Só posso de mim mesmo me livrar
Na vez da alma ser desencarnada.