Não sei se foi o verde que me chamou a atenção ou se foram os olhos que, por trás dele, pareciam guardar algum segredo. Sei apenas que, quando ela surgiu, houve qualquer coisa de extraordinário no movimento das coisas comuns.
Caminhava sobre saltos altos, como quem não precisava pedir licença ao mundo para existir. Havia elegância em cada passo, uma segurança quase insolente e um sorriso... Ah, aquele sorriso!
Confesso que tentei disfarçar. Olhei para o lado, fingi interesse em outras paisagens, mas de que adianta fugir quando os olhos já escolheram onde querem permanecer?
O verde lhe caía como uma confissão de primavera. E eu, que sempre desconfiei das grandes paixões, comecei a suspeitar que certas cores não se vestem: acontecem.
Talvez fosse apenas um sorriso. Talvez fossem apenas saltos. Talvez fosse apenas uma mulher vestida de verde.
Mas, se me perguntarem o que aconteceu naquele instante, direi, sem receio de contradizer a razão: foi o mundo que perdeu a compostura, não eu.