Tiago Pinheiro

A Vós

Não há um osso que não mente
No meu corpo. Tal como o digo,
Meu malvado coração não o sente.
Lutando, embora fraco, não o sigo,

Mas este sempre encontra
Algo que ou despreza ou devora,
Ou recebe ou mata, ou odeia ou adora.
Eterno transeunte, a favor do contra.

Oh que cobardia! Sem admitir culpa
Ou derrota, assim, escravo da emoção.
Pois aquilo que, teimoso, cobiça o coração,
A minha mente, liniente, sempre desculpa.