Bons poetas são aqueles
Que escrevem belos poemas,
Inspiradores, emocionantes,
Reflexivos, questionadores.
Mas diferente destes,
Existe também, num
Canto perdido da poesia
Maldita, aquilo que se denominou
Na inconveniência do escândalo,
De poeta-imortal.
Em tua distorção genealógica
E monstruosidade genética,
Aquela entidade absurda,
Amplamente absorta e absorvida
Pelo estranhamento da poiésis,
Conquista tal patamar,
Na inevitabilidade da perseguição.
Poeta-Imortal é aquele que foi
Censurado, foragido, rejeitado,
Encarcerado, banido, envenenado,
E como se não bastasse,
Amaldiçoado por teus versos,
Condenado ao exílio e à pena
Capital, testemunhando tua
Própria obra consumida e incinerada,
Diante da multidão ensandecida,
Clamando por tua ruína
Com tamanho fervor,
Que restou-lhe apenas
A imortalidade.