Gi.

Um amor pronto

 

Eu vim de tantas esquinas, tantos desencontros,

colecionando cicatrizes, desacreditando dos encontros.

Coração de concreto, olhar de quem não se entrega,

até que teus olhos verdes fizeram primavera na minha selva.

 

E olha só que ironia, logo eu, tão desconfiada,

que nunca fui de esperar, nem de ficar apaixonada.

Tu chegou sem fazer barulho, sem bater na porta,

e hoje até meu silêncio sabe teu nome de cor e nota.

Tem fumaça no ambiente, a madrugada tá tranquila,

a brisa leva os pensamentos, teu sorriso me ilumina.

E entre uma ideia e outra, enquanto o mundo desacelera,

percebo que a vida contigo tem uma beleza diferente da espera.

Teu jeito me desconcerta, tua bobice me desmonta,

tu me faz rir de besteira quando a cabeça não apronta.

É que a felicidade, às vezes, não vem em grande acontecimento,

vem num olhar atravessado, num abraço, num momento.

Eu sou a dama sem castelo, tu, vagabundo sem roteiro,

dois corações de procedência diferente, mas com o mesmo paradeiro.

Na dança que o Oriente canta, nós escreve outro refrão,

não é só beijo na calçada, é encontro de direção.

Cheguei como quem não queria nada,

sem fazer planos, sem esperar morada.

Mas o destino tem dessas, muda a rota sem avisar,

e hoje tudo que eu planejo tem teu nome em algum lugar.

Eu quero tudo que a vida puder me oferecer,

os dias de sol, as tempestades que a gente vai vencer.

Quero o corre, a conquista, o pão dividido na mesa,

porque riqueza de verdade é ter paz na própria presença.

Quero conhecer o mundo e voltar pra te contar,

ver o tempo mudar nossos rostos sem mudar nosso olhar.

Quero as noites sem assunto, as conversas sem sentido,

e até os dias mais difíceis, desde que sejam divididos.

Porque amar não é corrente, nem promessa de prisão,

é escolher caminhar junto sem perder a própria direção.

É ser abrigo sem ser jaula, ser liberdade e proteção,

é encontrar em outro peito um lugar de identificação.

E se amanhã perguntarem o que eu vi nesses olhos verdes,

digo que vi um horizonte onde antes só havia paredes.

Vi um motivo pra sorrir sem precisar de ocasião,

um novo ritmo pra batida descompassada do meu coração.

E pode até ter fumaça encobrindo o céu lá fora,

mas nunca confundiria a brisa com quem me faz ir embora.

Porque entre tantos caminhos que eu poderia percorrer,

eu não quero só viver um romance,

eu quero viver a vida com você.

A dama e o vagabundo, sem roteiro, sem final escrito.

Dois malucos contra o mundo, construindo o próprio infinito.

Cheguei sem querer nada.

Hoje, meu bem, eu quero tudo.