No Éden sem par, onde a luz se derrama
Um ser sombrio, de olhar que inflama
Não o ardor do amor, mas gélida arte
O demônio ensina a ser parte.
Não do calor que a alma inunda e aquece
Mas do frio que tudo emudece
Um sussurro que gela a espinha, sutil
A beleza crua, o olhar hostil.
O mestre verdadeiro da ausência, do nada
Da paz que se encontra na alma gelada
Quando as paixões cessam o seu turbilhão
E resta o silêncio, a pura solidão.
Em cada gesto, em cada fria palavra
Um ensinamento que a alma desbrava
Um saber profundo, sem dó nem clamor
A essência da falta, do desamor.
No paraíso a lição se revela
A frieza por que a alma apela
Não por dor que aflige o coração
Mas por calma que traz a razão.