O ar. Rarefeito.
Tranquei a garganta logo na primeira
garfada:
um garoto de vidro, esculpido
em mármore e corte, rasgou
o meu esôfago.
Eu ainda tossia o estilhaço do osso
quando o segundo surgiu no salão.
O absurdo.
Um despropósito de olhos de porcelana
que me arrancou o fôlego e me deixou —
digamos: vazia.
Bonitos demais. Cruéis demais
para serem reais.
Saí. Sem o jantar,
sem o ar, sem o chão.
A pele queimando,
o suor frio colando o vestido,
meu naufrágio—empedrada—
pelo tsunami de patetas perfeitos
que antecedeu, de forma insuportável,
o prato principal.