Confio no mentiroso? Não.
Ele nunca... me decepciona.
A verdade é uma maquiagem...
que virou máscara.
Mando. Ele obedece.
A liberdade é isto:
corrente curta.
O fundo é raso.
Eu controlo.
Às vezes, para ser feliz,
basta o método:
prensar a mandioca do mentiroso perfeito
em uma noite... ensaboada.
Duas horas antes—sem perder tempo—
lubrifiquei o tipiti.
A prensa não range.
Apenas... aperta.
Ele recusa.
Eu sigo.
Toda mentira pede plateia.
Não confio nele.
Nem quando acerta.
Principalmente quando acerta.
O tipiti pronto.
E o tolo... espera o perdão.
Eu engano.
Há um êxtase em iludir
sem prometer nada.
A dor é hábito.
Controlar é higiene.
O sol nasce de manhã. Nunca à noite.
Rotina.
Ele foge. Eu aguardo o amanhã:
a mandioca descascada, o tipiti..
pingando óleo.
A prensa não espera.
Eu me divirto.
Que Mandioca Bem Boa
de Ayalah Verônica Berg