Ayalah VerĂ´nica Berg

QUE MANDIOCA BEM BOA

 

Confio no mentiroso? Não.
Ele nunca... me decepciona.
A verdade é uma maquiagem...
que virou máscara.
 
Mando. Ele obedece.
A liberdade é isto:
corrente curta.

O fundo é raso.
Eu controlo.

Às vezes, para ser feliz,
basta o método:
prensar a mandioca do mentiroso perfeito
em uma noite... ensaboada.
 
Duas horas antes—sem perder tempo—
lubrifiquei o tipiti.
 
A prensa não range.
Apenas... aperta.
 
Ele recusa.
Eu sigo.
Toda mentira pede plateia.
 
Não confio nele.
Nem quando acerta.
Principalmente quando acerta.
 
O tipiti pronto.
E o tolo... espera o perdão.
Eu engano.
 
Há um êxtase em iludir
sem prometer nada.
A dor é hábito.
Controlar é higiene.
 
O sol nasce de manhã. Nunca à noite.
Rotina. 
 
Ele foge. Eu aguardo o amanhã:
a mandioca descascada, o tipiti..
pingando óleo.
 
A prensa não espera.
Eu me divirto.
 
 
Que Mandioca Bem Boa
 de Ayalah Verônica Berg