Era uma vez uma história que nunca foi contada. Ora começava pelo meio e não terminava. Ora tinha início no fim e parava sem terminar.
O autor então resolveu transformar a história numa peça teatral. Escolheu atores e atrizes e um produtor para ver se assim a história teria um começo, meio e fim.
Quando a obra estava completa foi anunciada a data de apresentação num teatro. A história que nunca havia sido contada chamou a atenção do público e para a primeira apresentação os ingressos estavam esgotados.
Eis que no dia da estréia o elenco desapareceu, restando apenas um ator.
Como era impossível cancelar a apresentação, resolveram, apressadamente, criar um monólogo e colocar o único personagem disponível para a apresentação.
Ao primeiro sinal o solitário ator foi para o palco levando o texto. Ao abrir a cortina um canhão de luz atingiu o ator.
Ele ficou imóvel e calado. O diretor gesticulava da coxia pedindo para o ator iniciar o monólogo, mas ele permanecia calado.
O ator olha para o texto, rasga todas as folhas e começa a dar gargalhadas e gargalhadas. O diretor insiste para que o ator desse início ao monólogo, mas ele continuava a rir sem parar .
A platéia inteira começa também a rir, aplaudir de pé e assim permaneceu por longo tempo. Todos rindo sem saber de que e nem porquê.
A cortina fechou-se mas o público continuava a dar gargalhadas sob aplausos e chamadas para ator retornar ao palco.
O ator voltou e o festival de gargalhadas continuou. Autor é diretor entraram em cena tentando dar explicações ao público, mas não conseguiram e acabaram caindo na gargalhada também.
Terminado o “espetáculo “, o diretor pediu explicações ao ator e ele respondeu: Estamos vivendo num mundo trágico. Tiros, assaltos, roubos, homicídios, guerras, enchentes, tornados, famílias destruídas… As pessoas não tem mais motivos para sorrir, muito menos para gargalhadas. Rir faz bem, muito bem. Pensei nisso na hora de iniciar o monólogo, certo de que não ia dar certo, pois não tive tempo suficiente para decorar o texto. Na verdade eu ria de mim mesmo, diante de uma platéia e sem saber o que fazer.
O errado acabou dando certo. O “monólogo “ ficou em cartaz durante muito tempo. O público fazia questão ir ao teatro apenas para “morrer de rir”.
Com isso, a história mais uma vez acabou não sendo contada e, certamente jamais será.