MonikoFag

A nascida rosa vermelha

A nascida rosa vermelha.

 

Uma rosa crescida na escuridão,

Em um canto onde o sol não se atrevia a olhar,

Nasceu com medo, tremendo,

Como se já soubesse que o mundo não tinha lugar para ela.

 

Ela cresceu tentando imitar outras flores,

Estendendo pétalas frágeis como pedido de socorro,

Cada toque era silencioso,

Cada aproximação era rejeição.

Ninguém a via,

Ninguém a queria–

 

Então as pétalas começaram a cair,

Não por vento,

Mas pelo abandono,

Elas se soltavam como lembranças em cinzas,

Caindo no chão morto,

Implorando para não morrer sozinha.

 

A rosa cuja cor era vermelha,

Foi perdendo a cor,

Ela tentou renascer,

Mas foram tentativas falhas,

Em solo estéril,

Em terras onde nada brota.

 

Além da tristeza acumulada,

As rosas que deveriam cuidar dela

Foram as primeiras a fugir.

A deixaram como se fosse um erro,

Um espinho inconveniente.

Sem água,

Destituída de carinho,

Falha em sequer um nome,

 

As únicas coisas que a tocaram,

Foram mãos humanas–

Pesadas, imundas.

Feitas de descuido,

Feitas de maldade.

Até aqueles que deveriam protegê-la

A trataram como uma erva imperfeita.

 

A rosa nunca aprendeu o que era afeto.

Nunca sentiu o calor de um lar.

Não lembra das \"irmãs\"

Pois elas a abandonaram.

E irrealmente,

Nunca teve alguém

Que de fato merecesse esse nome.

 

Agora a rosa está pálida,

Como se aquele vermelho estivesse desistindo dela,

O perfume se esvai,

A beleza murchou,

A vida virou um murmúrio exausto

Que só existe por teimosia.

 

Talvez ela queira brilhar,

Ela quer algo,

Talvez um descanso?

Ou talvez,

Ela só deseja o fim da dor,

 

Mas como pode,

Ela é tão jovem,

E já pensa em suicídio–

Como quem pensa em descansar.

 

A rosa não sabe mais quem é.

Ela cambaleia na própria existência,

Se perguntando se verá o próximo amanhecer,

Ou se será só mais um corpo esquecido

Entre folhas mortas.

 

Solitária,

Desbotada,

Sem perfume,

Absorta em pensamentos,

Sem a promessa de alguém...

 

A Infância da rosa foi só isso:

Um grito abafado na terra,

Um pedido de amor não atendido,

Um nascimento condenado 

Desde o primeiro pétalo.