A nascida rosa vermelha.
Uma rosa crescida na escuridão,
Em um canto onde o sol não se atrevia a olhar,
Nasceu com medo, tremendo,
Como se já soubesse que o mundo não tinha lugar para ela.
Ela cresceu tentando imitar outras flores,
Estendendo pétalas frágeis como pedido de socorro,
Cada toque era silencioso,
Cada aproximação era rejeição.
Ninguém a via,
Ninguém a queria–
Então as pétalas começaram a cair,
Não por vento,
Mas pelo abandono,
Elas se soltavam como lembranças em cinzas,
Caindo no chão morto,
Implorando para não morrer sozinha.
A rosa cuja cor era vermelha,
Foi perdendo a cor,
Ela tentou renascer,
Mas foram tentativas falhas,
Em solo estéril,
Em terras onde nada brota.
Além da tristeza acumulada,
As rosas que deveriam cuidar dela
Foram as primeiras a fugir.
A deixaram como se fosse um erro,
Um espinho inconveniente.
Sem água,
Destituída de carinho,
Falha em sequer um nome,
As únicas coisas que a tocaram,
Foram mãos humanas–
Pesadas, imundas.
Feitas de descuido,
Feitas de maldade.
Até aqueles que deveriam protegê-la
A trataram como uma erva imperfeita.
A rosa nunca aprendeu o que era afeto.
Nunca sentiu o calor de um lar.
Não lembra das \"irmãs\"
Pois elas a abandonaram.
E irrealmente,
Nunca teve alguém
Que de fato merecesse esse nome.
Agora a rosa está pálida,
Como se aquele vermelho estivesse desistindo dela,
O perfume se esvai,
A beleza murchou,
A vida virou um murmúrio exausto
Que só existe por teimosia.
Talvez ela queira brilhar,
Ela quer algo,
Talvez um descanso?
Ou talvez,
Ela só deseja o fim da dor,
Mas como pode,
Ela é tão jovem,
E já pensa em suicídio–
Como quem pensa em descansar.
A rosa não sabe mais quem é.
Ela cambaleia na própria existência,
Se perguntando se verá o próximo amanhecer,
Ou se será só mais um corpo esquecido
Entre folhas mortas.
Solitária,
Desbotada,
Sem perfume,
Absorta em pensamentos,
Sem a promessa de alguém...
A Infância da rosa foi só isso:
Um grito abafado na terra,
Um pedido de amor não atendido,
Um nascimento condenado
Desde o primeiro pétalo.