Da Silva Guilherme

Teus olhos

Teus olhos me molham 

de longe, eles choram

e coram em tom pardo;

esmiuçados. E tinham algo

a mais: mais e mais e mais 

versos. Poemas sem fim.

Olhos de métrica

decassílaba. 

Olhos de sonetos 

de Bilac. 

Olhos traidores 

como Capitu — ou não, 

mas tão bonitos quanto 

tu. E tão distantes, e tão 

abstratos! Esses olhos 

axiomáticos. Esses olhos,

esse olhar: lua preta

sobre céu branco

explodirá em mil cantos 

que ainda hão de me cegar.