Teus olhos me molham
de longe, eles choram
e coram em tom pardo;
esmiuçados. E tinham algo
a mais: mais e mais e mais
versos. Poemas sem fim.
Olhos de métrica
decassílaba.
Olhos de sonetos
de Bilac.
Olhos traidores
como Capitu — ou não,
mas tão bonitos quanto
tu. E tão distantes, e tão
abstratos! Esses olhos
axiomáticos. Esses olhos,
esse olhar: lua preta
sobre céu branco
explodirá em mil cantos
que ainda hão de me cegar.