PoetadeMarte

Manual de Indiferença

Não sejas irónico,
ninguém mendigou pela tua presença.
Gosto da companhia do silêncio,
mas nem todo dia é católico.

Despe-te da tua falsa modéstia,
porque eu tenho amor-próprio.
Não dou coração ao sódio,
causa hipertensão.

Não tenho tempo para te dar ódio,
nem paciência para alimentar intrigas.
Se a tua ausência me traz paz,
não vejo motivos para insistir na tua companhia.

Não confundas educação com carência,
nem o meu silêncio com submissão.
Aprendi que preservar a minha paz
também é uma forma de dizer não.