Daniel Victor

A crueldade das promessas

Há palavras que parecem eternas, juramentos vestidos de verdade, promessas que acendem estrelas no céu escuro da ansiedade.

 

Dizem para sempre com tanta certeza, como se pudessem deter o amanhã, como se o tempo, em sua natureza, obedecesse à vontade humana.

 

E nós, tolos ou apenas esperançosos, acreditamos naquilo que ouvimos. Construímos castelos grandiosos sobre futuros que nunca vivemos.

 

Ah, como odeio as promessas! Essas sementes de falsas certezas, que germinam no peito como flores e morrem sem deixar sequer raízes.

 

Porque a mentira nem sempre tem rosto, nem sempre nasce da intenção de ferir; às vezes, é apenas o medo do desgosto de dizer a verdade e alguém partir.

 

Então juram amor, juram presença, juram que jamais irão embora. E nós confundimos a eloquência com a certeza de que não irão embora.

 

Mas o tempo, esse velho impiedoso, não se comove com declarações. Desnuda o discurso mais majestoso e revela a verdade das ações.

 

E o que fazer com a esperança perdida? Com o amanhã que alguém nos prometeu? Como explicar à própria vida que o futuro imaginado nunca aconteceu?

 

Talvez seja esse o maior dos enganos: não acreditar que alguém possa mentir, mas esquecer que somos todos humanos, capazes de prometer sem conseguir cumprir.

 

Por isso, não me jurem eternidade, não me ofereçam o que não podem dar. Prefiro a dolorosa honestidade ao doce veneno de me fazer esperar.

 

Não me digam que ficarão para sempre, nem que o destino não nos separará. Fiquem enquanto o coração permitir, e, se partirem, não mintam ao partir.

 

Pois aprendi, entre ausências e destroços, que palavras não sustentam o que cai. E que os gestos, por menores que sejam, dizem muito mais do que um nunca se vai.

 

Não me prometam o céu, se não podem impedir a tempestade. Não me jurem amor eterno, se não conhecem sequer a própria vontade.

 

Apenas sejam verdadeiros. Mesmo que a verdade me faça chorar.

 

Porque, de todas as dores que existem, há uma que eu não quero mais carregar: a de passar a vida esperando por aquilo que alguém prometeu me entregar.