Teu nome desce lento pela fumaça da noite,
Maria Padilha,
como vinho derramado em altar de desejo e perdição.
Te imagino surgindo entre velas vermelhas,
pele morena brilhando como pecado molhado de luar,
os cabelos pretos caindo pelas costas
feito serpentes de seda e mistério.
As unhas longas, vermelhas, afiadas,
dançam no ar antes de tocar minha pele,
e cada tatuagem espalhada pelo teu corpo
parece guardar promessas que ninguém ousou cumprir.
Há fogo no teu sorriso,
veneno doce nos teus olhos escuros,
e eu me perco inteiro
na forma como tua presença domina o silêncio.
Você chega perto devagar,
como quem sabe exatamente o efeito que causa,
e o ar pesa dentro do meu peito.
Então tua mão fecha no meu pescoço —
forte, quente, irresistível.
As unhas afundam contra minha carne trêmula
enquanto meu corpo se rende ao teu domínio,
sem coragem de fugir,
sem vontade de escapar.