Lyvia Cruz

Como vinho derramado em altar de desejo e perdição.

Teu nome desce lento pela fumaça da noite,

Maria Padilha,

como vinho derramado em altar de desejo e perdição.

Te imagino surgindo entre velas vermelhas,

pele morena brilhando como pecado molhado de luar,

os cabelos pretos caindo pelas costas

feito serpentes de seda e mistério.

As unhas longas, vermelhas, afiadas,

dançam no ar antes de tocar minha pele,

e cada tatuagem espalhada pelo teu corpo

parece guardar promessas que ninguém ousou cumprir.

Há fogo no teu sorriso,

veneno doce nos teus olhos escuros,

e eu me perco inteiro

na forma como tua presença domina o silêncio.

Você chega perto devagar,

como quem sabe exatamente o efeito que causa,

e o ar pesa dentro do meu peito.

Então tua mão fecha no meu pescoço —

forte, quente, irresistível.

As unhas afundam contra minha carne trêmula

enquanto meu corpo se rende ao teu domínio,

sem coragem de fugir,

sem vontade de escapar.