A solidão não é um vazio.
É um estilo.
O mundo interior é um quarto com a porta trancada.
Do lado de fora, o ruído dos outros.
Do lado de dentro, a silêncio que se conquista.
A ausência de dor é um troféu.
A calma, uma droga.
Aprendi o catálogo dos imbecis.
Seus nomes são sílabas do esgoto.
Prefiro a arquitetura da solidão.
Passei tanto tempo só
que o silêncio criou raízes.
Não é um silêncio frouxo.
É apertado. Uma pedra.
Um e-mail de perdão que nunca enviei.
O rascunho que envelhece na tela.
A memória é um vício.
A paz, um vício maior.
Eu habito o meu próprio abismo.
E ele é confortável.
A liberdade é o peso que escolhi.
O tédio é a minha forma de êxtase.
A Queda nunca é doce.
Eu mordo o vazio.
E o vazio floresce.
Silêncio de um Rasgo Apertado
de Ayalah Verônica Berg