Observo da janela o mar formoso
Na sala, entre os perfumes da madeira.
A casa antiga tem um ar saudoso
E guarda histórias de uma vida inteira.
Se fecho os olhos, ouço os sons, os passos,
Nas gretas do assoalho carcomido
Da gente, comensais entre os abraços,
E o tilintar das taças e alaridos.
Eu vejo a correria das crianças,
Os pés descalços, meias, pois, de areia;
Meus olhos sentem um sabor de infância
No quadro velho, o pó e a Santa Ceia.
A avó no forno e o bolo de morango
Com chocolate e calda de baunilha;
O avô com seus caniços e fumando,
No pensamento os peixes pra família.
E vem-me, à noite, o jogo de carteado,
Cartola na vitrola e a brisa fria.
Eu abro os olhos, volto do passado,
E escorre à face a casa, ao fim, vazia.