MAISA NALAPE

O HOMEM QUE PENSOU QUE ELA NUNCA IRIA EMBORA

Eu pensei que nunca irias partir,

Que, mesmo depois de tanto te ferir,

Continuarias ali, à minha espera,

Como se o teu amor fosse uma prisão eterna.

 

Traí-te sem medo, humilhei-te sem dó,

Fiz-te sentir que estavas melhor só.

Até te abandonei sem uma despedida,

Bloqueei o teu mundo e segui a minha vida.

 

Casei com outra, pensando ter vencido,

Enquanto te imaginava chorando, perdido.

Queria mostrar-te que não eras ninguém,

Mas hoje percebo que perdi o meu bem.

 

Dois anos passaram, e eu nem quis saber,

Pensava que estavas à espera de me ver.

Mas a vida ensinou-me uma dura lição:

Tu reconstruíste a vida, eu fiquei na solidão.

 

Um dia disseram-me que estavas casada,

Que tinhas outro filho e eras bem-amada.

Meu coração doeu, não consegui acreditar,

A mulher que abandonei conseguiu recomeçar.

 

Depois vi-te no parque, tão linda, tão feliz,

Com outro homem ao teu lado, como sempre quis.

A nossa filha sorria junto daquela família,

E eu senti a dor que a minha ausência semeava.

 

Hoje vejo outro homem a cuidar da minha menina,

A dar-lhe carinho, presença e uma rotina.

E dói saber que poderia ser eu,

Mas fui eu mesmo quem esse lugar perdeu.

 

Eu queria voltar, dizia que iria mudar,

Que seria o homem que merecias encontrar.

Mas talvez tenha acordado tarde demais,

Quando o teu coração já não olha para trás.

 

Quis fazer-te sentir que não eras nada,

Mas acabei sozinho, com a alma machucada.

Quis sair da tua vida como um vencedor,

Mas fui derrotado pelo meu próprio erro e pela dor.

 

Hoje não te culpo por teres seguido em frente,

Fui eu quem te perdeu, infelizmente.

Só me resta aceitar aquilo que construí:

Enquanto te fazia sofrer, perdi-te a ti.

 

E se algum dia ouvires falar de mim,

Saberás que o homem que te tratou assim

Aprendeu da maneira mais dolorosa da vida:

Quem brinca com um amor verdadeiro pode acabar a chorar pela sua partida.