Eliabe Lira

Quem sou?

Silêncio,

Medo, certeza,

Cores.

 

Então, nada muda por aqui,

O café ainda tem aquele gosto,

O sofá ainda reclina levemente,

O jiló nunca será doce, novamente.

 

Nunca mais vesti vermelho ou vinho,

Mesmo sendo minha cor favorita,

Nunca mais corri na chuva,

Embora tenha chovido sempre.

 

Me dissolvi em meio a mim,

Me devolvi a algo inalcançável,

Me dilui em propostas sutis,

Me fundi ao projeto do eu.

 

E sem saber onde me perdi,

Acabo no paradoxo do eu,

A qual nenhum de nós saberá,

Se acaso vivi mais que a mim.