Silêncio,
Medo, certeza,
Cores.
Então, nada muda por aqui,
O café ainda tem aquele gosto,
O sofá ainda reclina levemente,
O jiló nunca será doce, novamente.
Nunca mais vesti vermelho ou vinho,
Mesmo sendo minha cor favorita,
Nunca mais corri na chuva,
Embora tenha chovido sempre.
Me dissolvi em meio a mim,
Me devolvi a algo inalcançável,
Me dilui em propostas sutis,
Me fundi ao projeto do eu.
E sem saber onde me perdi,
Acabo no paradoxo do eu,
A qual nenhum de nós saberá,
Se acaso vivi mais que a mim.