Sabe,
ando meio distante de ti
e, dessa vez,
não é por falta de vontade,
mas por respeito à distância
que delimitaste entre nós.
Tu sempre partias.
Às vezes, voltavas por conta própria;
outras, era eu quem atravessava
o caminho de volta.
Mas, desta vez, não fui.
E tu ainda não voltaste.
Abri uma fresta
na porta que mantive fechada
para que o desinteresse não entrasse.
Mas ele encontrou passagem
e, pouco a pouco,
tem feito morada
nos espaços que antes eram teus.
Talvez seja assim
que alguém deixa de esperar:
não de uma só vez,
não por uma decisão repentina,
mas pelo cansaço de ser
sempre quem retorna.
Percebi que também precisavas
percorrer a distância,
fazer o caminho,
procurar a presença
que tantas vezes te procurou.
Não te cobro o que não me pertence.
Nunca quis exigir permanência
de quem não prometeu ficar.
Mas, de alguma maneira,
confesso,
achei que ainda me pertencerias
em alguma medida.
E agora,
que faço com o livro
que comprei para ti?
Com as páginas que imaginei
que um dia lerias,
com o pequeno gesto
que ainda não sabe
que talvez tenha perdido seu destino?