Os calos do pensamento foram forjados a frio.
Engoli o olhar dos que desertei: agora vigiam por dentro,
fósforos acesos na argila que achei ser músculo.
Toco o impulso: não há sangue, só lodo.
Uma erosão lívida me come as bordas.
No oco do pulmão, versões que quebrei no escuro
arranham a lixa com unhas que nunca cresceram.
Amo o chão que me dissolve.
Os cactos viraram seixos pretos no fundo da alma.
Quando tento uma prece, o atrito das pedras mastiga a voz antes do ar.
O cinismo é a espinha vergando.
Caminho ereta com um relicário podre.
Até que descubro: a terra onde os enterrei já não me distingue do pó.
Não sou o coveiro.
Sou a vala comum que aprendeu a ter fome.