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Saudade

Nenhuma dor é tão incômoda ou laciva quanto a saudade, nos pega na fragilidade, não existe analgésico prescrito para ela.

Ela vem em memórias, instantes que marcaram, mas ela não reside nos grandes momentos e sim nos pequenos, pequenos hábitos que em tempos podiam incomodar, mas hoje, na falta, nos fazem lembrar: nos detalhes dos trejeitos, na fala e num afago.

Não se pode negar o quão valiosa é esta dor, ela nos torna humanos, mostra significado, ensina o amor e o perdão, mostra humildade, arrebenta do mais nobre até o mais pobre, do culto ao ignorante.

Imploramos racionalmente voltar ao lugar da memória, mesmo sem entender que não se volta ao sentimento, este só existe em nós, único e indivisível.

Saudade dói, aperta o peito e deslacera o coração, mas prova, com o sentimento e a razão, a verdade que habita no coração.