Karolla

Pai, filho e espírito ditador

Houve fraude! dizem, em psicose.

Mas justiça, ninguém ouviu.

Ouve-se “fraude” por toda parte;

prova mesmo, nunca surgiu.

 

Marcharam firmes ao som do mito,

com a bandeira a cobrir a visão.

Bateram palmas para o infinito,

pedindo às armas a salvação.

 

No altar de verde e amarelo,

o gado canta para o pneu.

A ciência é o grande flagelo,

e a mentira é o deus que venceu.

 

Esperam o general que não vem,

as setenta e duas horas de ilusão.

Não aceitam a voz de ninguém,

além do chefe da negação.

 

O capitão governa a mentira,

enquanto o rebento segue intocado.

O clã se protege e conspira,

fechado em seu carro blindado.

 

Dividem o mundo em tela escura,

O \"autodeclarado\" herói contra o mal.

O vilão é quem pensa ou questiona,

no roteiro dessa farsa triunfal.

 

Por isso, há no final das orações:

Pai, filho, e espírito ditador.

Amém!