Paulo Silva

Dentro da luz

 

E no fim morreu o verso 
Desfez o universo em minha palma.

Consumou-se a alma 
Abrigou seu inverso, 
Calando-me com suave calma.

Pois se revela agora a certeza 
Esquecida nos ecos e na voz 
Consumindo a todos nós 
Por mera vaidade da natureza. 

E por sua vez se desfez:
O verso, o canto e o autor;
Morreu das trovas o amor,
Fugiu das trevas a solidão,
Caiu do ser a emoção 
E assim extinguiu o poeta. 

Com a certeza da tristeza 
Fez-se do riso mero pranto 
E não há nada além do primeiro verso, 
Assim eu lhe adianto.