igor rebolho

Tempo que voa

Tempo que voa  
Tempo que não sobrevoa  
Que vem  
E que se disporá  

Tempo que colhe  
Tempo que planta  
O tempo que dê um jeito  
De escrever meus pensamentos em sua linha  

Tempo que se há para brincar  
Já não é mais o mesmo de deitar  
Tempo que já não me chama de amigo  
Mas que faz de mim um soldado antigo  

Que bate continência  
E faz contingência  
Do que acontece  
E do que pode acontecer  

Tempo que não traz outro amigo  
E que não faz relógio de presente  
Tempo que vem  
E vai de repente  

Tempo em que a boca já não diz  
O que seu coração prediz  
Tempo que faz o cronômetro parar  
E a vida, pairar