Kaiky

Drogas. Falas. Toques. Lágrimas.

Ele dizia que éramos o mundo..., levantava o copo com bravura, 

e clamava por mais da minha alma agora imunda,

eu em estado de loucura doava-me por completo aquela lábia infame e inoportuna.

 

Os prazeres cercados acabavam, 

minha boca não estava dormente e meu peito não estava ardente.

A bebida chegava como remetente, tudo era lindo, tudo era claro e por um momento...

pensei que sairia salvo...

 

O carrasco havia chegado, grande, nojento, abominável.

O pânico me dizia pra correr, a falta da substância dizia-me pra ficar.

 

Os toques do carrasco percorreram meu corpo,

e eu sabia..., sabia que não queria estar lá.

 

A sonolência vinha, 

sem saber como chegara, 

apaguei sem saber se eu me pertencia.

 

O sol invadiu meus olhos, 

eu sentia nojo.

 

Nojo de quem me levara até lá.

Nojo do carrasco que mal perguntou se lá eu queria estar.

 

Meu corpo entregava cansaço, 

minha alma pedia perdão,

e minha mente? compaixão.

 

No chão do meu quarto, lágrimas se soltaram, gritos se livraram.

E meu estado? deplorável.

 

Pobre garoto fraco..., deixou-se levar por prazeres...
prazeres que lhe roubaram a noite,

a paz...,

e até o direito de escolher.

 

Pobre rapaz...