Lyvia Cruz

As mãos dela

Havia qualquer coisa de encantamento naquela menina. A pele morena, o olhar oblíquo, desses que parecem conhecer segredos que o mundo ainda não descobriu.

Tinha uma voz bonita, daquelas que não precisam ser altas para permanecer por muito tempo na memória. E havia suas mãos... Ah, suas mãos. Guardavam um perfume que o tempo, por mais que tente, nunca conseguiu levar embora.

Era tão jovem, mas carregava uma espécie de sabedoria que talvez nem soubesse possuir. Ensinou-me, sem grandes discursos, que eu também merecia o meu próprio amor.

Não sei se ela tinha consciência do que deixava pelo caminho. Talvez tenha sido apenas um encontro, uma passagem breve, dessas que parecem pequenas para quem chega e imensas para quem fica.

Hoje, não sei dizer se sinto saudade da menina, da sua voz ou daquele perfume. Sei apenas que algumas pessoas não vão embora por inteiro.

Há quem deixe lembranças. Há quem deixe saudade. E há quem, mesmo sem saber, se transforme em uma parte bonita daquilo que aprendemos a ser.