Escrevendo para não esquecer, escrevendo para me lembrar
Acabou, as ideias, as linhas, o modo de me expressar
Sempre repetitivo, ciclo que não se acaba, eu me sentia mais completo com ela
Só que na realidade era uma desculpa, uma chance para me sentir melhor comigo mesmo
Nunca existiu, eu, você, nós, sempre acabou sendo eu e eu
Dando de cara na parede, eu rezo, rezo para que eu consiga passar mais uma
Que o Senhor me escute, mesmo olhando minhas misérias
Sou um apenas um cara aleatório tentando sobreviver ao sopro, da vida, da própria causalidade
Uma pedra seria suficiente, mas quanto mais eu tiro dos bolsos, mais elas aparecem
Cicatrizes, pesos, dores, tentando descobrir um jeito de fazer algo bom com isso
Quero servir de exemplo, para que os menores não vejam os defeitos
Sem saída, sem efeito, menos um dia, mais um dia, no calendário, na vida, tanto faz
Falando da realidade, por meio de espasmos, com paredes e com silêncio
Que silêncio, copo meio cheio, meio vazio, depende do dia
E eu apenas quero dar um pouco de orgulho aos meus pais
Para que pensem que seus anos valeram a pena, sem peso, sem ter pena, me veja com bons olhos, porque eu não consigo
Tanto para oferecer, mas nunca sei como começar
Minha comparação não é com outros, é comigo mesmo
Sem escolhas, segui apenas em frente, na estrada solitária
Com o coração na mão, sem certezas, que a vida começa sem ter segurança de nada, apenas que um dia o final vem
Sem glórias, sem honras, sem medalha de ouro para você
Nem troféus, prateleira vazia, prêmio de segundo lugar para você
Quero limpar a minha alma, sem deixar as manchas, tão grandes
Apenas o básico, será que vai atender a minha ligação? Eu apenas quero conversar, um pouco, alguns minutos, apenas um momento, oi, como vai você?...