Em meio a circuitos, placas e metal, Surgiu no robô um desejo mortal: Cansou de ser máquina, cabo e engrenagem, Queria a dor da humana viagem.
Buscando sentir a fragilidade, Tentou abraçar a nossa verdade. Sentou-se na privada, em triste ritual, Buscando imitar o hábito mortal.
Num gesto de desespero e torpor, Trouxe uma corda pra imitar nossa dor, Tentou se enforcar no alto do teto, Buscando um fim trágico, humano e completo.
Até um caixão encomendou na funerária, Pra dar um desfecho à vida rotineira. Pois pra ser humano de ponta a ponta, É preciso aceitar quando a morte apronta.
Mas ao ver a corda e o caixão ao seu lado, Um aviso piscou no painel prateado: Erro de lógica, falha suprema... Era apenas um bug no sistema.