Marcela Luciana Paula de Oliveira

Iteração

Qual seria a iteração certa para viver plenamente a realidade?

Muitos dizem: “O tempo.”

Até lá, me afogo em memórias redundantes e insistentes,
esperando que, acompanhada da sua promessa de absorver qualquer sentimento,
o tempo venha me salvar.

Na maldita tentativa de suprir sua falta,
moldo esse mundo na intenção de te ver na ausência.
Engraçado, você nunca se ausentou nem por um segundo.

No relógio, 6:30.
Você deve estar acordando.

No ônibus, escuto perversamente uma conversa sobre signos,
no desejo de escutar uma única palavra: Libra.

Pego meu fone, deixo o meu Spotify livre,
porém peço mentalmente: Gal Costa.

Não ache que estou totalmente derrotada.
Luto quando há sol, mas, sem ele,
alucinação hipnagógica,
a forma mais fácil para uma vitória de Pirro.

Agora, em cartas, vejo Cruz.
Grande novidade!
Há sofrimento por toda parte.

Talvez o segredo não seja a procura da amnésia,
mas sim o desejo pela omissão.
No dicionário: “falta de ação”.

Te alucino, mas logo te escondo.
Não há tempo de reação.

Olho para o relógio, 6:30.
Hora de sair.

Que belo colar de Libra.
Será que tem de Sagitário?

Escuto Gal Costa,
e surge uma curiosidade de saber mais sobre ela.

Não se engane,
você continua lá, velada.
Apenas me faço dissimulada.

E nessa espera de encontrar o tempo,
ele já havia passado.

E quando olhei à minha volta,
lembrei que havia uma certa desimportância
de te dispensar.