Minha mãe nunca soube
o tamanho das feridas
que suas palavras deixaram em mim.
Talvez nunca tenha percebido
quantas vezes chorei em silêncio
por frases que, para ela,
não passaram de momentos de estresse,
mas que, para mim,
se tornaram lembranças difíceis de esquecer.
Talvez fossem apenas palavras,
ditas em um dia ruim,
em meio ao cansaço e à irritação.
Talvez, no dia seguinte,
ela já nem se lembrasse do que disse.
Mas eu me lembro.
Lembro de cada frase,
de cada lágrima,
de cada vez que precisei fingir
que aquilo não havia me machucado.
E tudo bem, não é?
Mães também são humanas.
Também se cansam, se irritam,
também têm dias em que o mundo pesa demais.
Eu entendo.
Mas, às vezes, parece que todos se esquecem
de que eu também sou humana,
de que também sinto,
de que também tenho dias difíceis
e um coração que nem sempre sabe
como suportar certas palavras.
O que mais dói
é saber que talvez ela nunca entenda
que algumas frases não terminam
quando a discussão acaba.
Elas permanecem,
moram nos pensamentos,
voltam nos momentos de silêncio
e fazem morada justamente
onde deveria existir segurança.
Por trás do meu silêncio,
existe tanta coisa que nunca consegui dizer.
Por trás das lágrimas que escondo,
existe uma criança que ainda espera
ser acolhida por sua mãe.
Uma criança que não precisava de muito,
apenas de palavras gentis,
de um pouco de compreensão,
de um abraço que não precisasse pedir
e da certeza de que, mesmo nos dias difíceis,
continuaria sendo amada.
Eu sei que ela também tem suas dores.
Só queria que, em meio a tantas delas,
conseguisse enxergar as minhas.
Porque, no fundo,
eu nunca quis uma mãe perfeita.
Só queria que, algumas vezes,
ela tivesse cuidado das minhas palavras
com o mesmo cuidado
que eu gostaria que tivesse tido
com o meu coração.