O ser humano tem uma mania curiosa de procurar validade naquilo que os outros dizem, mas raramente procura dentro de si mesmo motivos para acreditar no próprio valor.
É como se precisássemos que alguém nos enxergasse para, finalmente, acreditarmos que existimos.
Mas um rosto não conta uma história inteira. A aparência não revela os pensamentos, e muito menos tudo aquilo que alguém guarda em silêncio.
Talvez, se as pessoas perguntassem mais e julgassem menos, seus olhos mudassem diante de quem está à sua frente.
Se perguntassem sobre aqueles sonhos que você nunca teve coragem de dizer em voz alta. Sobre o que gosta de fazer quando está sozinho, sobre os jogos que gosta de jogar, as pequenas coisas que fazem seu dia melhor.
Se perguntassem o que ainda machuca, mesmo depois de tanto tempo. Qual peso você carrega há anos e já não sabe como deixar pelo caminho.
Se existe alguma coisa de que você não gosta, mas aceita em silêncio, com medo de parecer inconveniente, difícil ou simplesmente chato.
Se você é realmente feliz quando responde que está tudo bem.
Porque nem sempre um sorriso é uma resposta sincera. Às vezes, é apenas a maneira mais fácil de não precisar explicar a tristeza.
Existe tanta gente procurando alguém como você. Mas fico pensando: quando finalmente encontram, será que sabem reconhecer o que têm diante dos olhos? Será que cuidam, escutam e permanecem? Ou também acabam procurando em outros lugares aquilo que já encontraram?
A mentira pode até preencher uma conversa, mas nunca um coração. E a solidão, por mais bonita que pareça quando confundida com independência, nem sempre significa liberdade. Às vezes, é apenas a falta de alguém com quem possamos ser nós mesmos, sem precisar pedir desculpas por existir.
Perder alguém que um dia tentou, com tudo o que tinha, ser amado e compreendido é como encontrar uma mina cheia de pedras preciosas e abandoná-la por ganância, sem perceber que a verdadeira riqueza estava justamente naquilo que se tinha nas mãos.
Talvez o problema seja esse: aprendemos a procurar pessoas extraordinárias, mas esquecemos de olhar com cuidado para as pessoas comuns.
E há algo profundamente triste em alguém precisar ir embora para que, só então, percebam tudo aquilo que havia para descobrir.
Afinal, todo mundo deseja ser encontrado. Mas poucos aprendem a olhar.