O que é um poema?
Um título, alguns versos, uma rima elegante,
Talvez umas palavras difíceis de entender;
Pronto! Eis a receita, tão simples, tão brilhante —
Só falta explicar por que alguém iria ler.
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Organizam-se os versos, dividem-se as estrofes,
Escolhem-se as palavras com certa precisão;
E, se alguém não compreende, que se deem os parabéns:
A culpa é sempre do poeta, não da interpretação.
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Mas digam: para que serve um punhado de palavras,
Se o mundo tem assuntos muito mais importantes?
Quem precisa de poesia, de metáforas ou lágrimas,
Quando existem tantas coisas aparentemente interessantes?
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Ora, um poema é só tinta sobre o papel,
Um amontoado de versos, sem utilidade aparente;
Não constrói edifícios, não faz chover do céu…
Que valor pode ter algo tão inconveniente?
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Engraçado… chamam de inútil aquilo que não entendem,
De exagero o sentimento que não conseguem explicar;
Mas recorrem às palavras quando já não se defendem
E procuram nos versos o que não sabem expressar.
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Um poema pode ser denúncia, memória ou resistência,
Pode dar nome à dor, à revolta e à solidão;
Pode transformar o silêncio em uma forma de existência
E fazer de poucas palavras um grito de indignação.
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Então, afinal, o que é um poema?
Uma rima bem-feita? Um exercício de expressão?
Ou algo que incomoda quem não suporta o problema
De encontrar, em alguns versos, verdades sem proteção?
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Talvez seja tudo isso — e muito mais do que parece.
Não precisa ser compreendido por quem se recusa a escutar.
Afinal, se a poesia não tem valor, como tanta gente esquece
Se a poesia nada vale, por que insistem em calar?