O rosto é um espelho de mármore e mentira,
Onde a loucura se veste de ouro e de cetim.
Buscamos o sentido que o silêncio esconde,
Mas é só o abismo que sorri para mim.
Esse brilho externo é uma ferida aberta,
Um pacto de sombras que o desejo assinou.
A beleza é o manto da alma deserta,
Onde a feiura interna o vazio preencheu.
E no escuro da noite, a espera é um corte:
Ninguém chama o nome de quem quer partir.
O telefone toca quando a sorte é um consorte,
E o silêncio dos amigos é o que me faz cair.