Incondizente
Me dôo o suficiente para que nada reste de mim mesmo.
Nos detritos, nem sequer restam pedras sobre pedras.
Sou lar sem moradia, sem descanso. Não encontro meu marsúpio e me contento no aconchego da ausência.
O melhor ouvinte, o pior ouvido entre tantas falas. A ignorância me destroça tão vorazmente que nega qualquer ânsia de desejo.
Necessito mais de mim, de meu próprio cuidado e afago. Quero ser harmonia com quem habito no íntimo. Estar pronto a ceder, sem peso.
Antes que se consuma qualquer centelha de esperança, que todo bom grado seja nocivo e só reste a carne apática.
Até quando cavarei minha cova? Até quando farei jus a quem critica?
Consciente, preso. Mantenho-me em guerra constante para amenizar meus danos. No fim, só restam prantos.