Gino, Sinvaldo de Souza
Poema: Fitafuso
Poema: Fitafuso
Do inferno envia a carta,
Fitafuso, o diabo ancião,
Sua astúcia nunca enfarta,
Dita as regras da ilusão.
Ao sobrinho dá o conselho:
\"Vá prender o bicho no espelho!\"
Não precisa grande pecado,
Para a alma desmoronar,
Basta o tempo mal gastado,
Para a mente se desviar.
O desânimo discreto
Leva o homem ao inferno direto.
Diz o velho com ironia:
\"Gaste o tempo do paciente,
Tire a paz e a alegria,
Gere angústia na sua mente.
Deixe o jovem no futuro,
Preso sempre num quarto escuro.\"
Racha a sutil estrutura,
Como a trinca em uma parede,
Pela falta de alma pura,
Cai o homem na velha rede.
O veneno que escorre lento
Traz o fim e o sofrimento.
Fitafuso propõe um brinde,
Na escola de tentadores,
Pois a graça de Deus finda,
Para aqueles sem mais valores.
Fecha a carta o diabo velho,
Escrevendo o seu evangelho.