Fábio Marinho

Soneto derradeiro

Assim que a noite arremessar seus braços
E do relógio derreter ponteiros,
O que será meu livro derradeiro,
Palavra por palavra, passo a passo?

 

De tudo que pensei, gritei no traço,
Não lembro de lembrar deste coveiro
Que dá de ombros, rega seu canteiro
E planta histórias podres de cansaço!

 

Mas ah, que desatento, inconsequente:
Agora me reluz esta estadia
E o preço me sorri com brancos dentes...

 

Que viva cada verso efervescente
Da terra que me abafa em poesia
E a vida se renasça novamente...