Esther Porfírio

Por dentro, o que resta?

Eu tenho a sensação 

De que se arrancarem-me as mãos 

Os braços 

As pernas

Cortassem meus pés 

A pele

Quebrassem osso por osso

E eu enfim deixasse o meu corpo

Seria em vão 

A não ser que estejam procurando por você então

O anseio pelas suas mãos 

O conforto conhecido pela forma em que seus olhos se encontram comigo

Seria em vão 

A dolorosa sensação de saber que sou muito 

Mas ainda não sou seu anseio

As únicas fotografias, todas da mesma noite

Única em que te disse o que passa dentro de mim

E que passa até hoje

As vírgulas que você me deu

Palavras que nem o tempo entendeu

Cada pedaço meu é seu

Sou mais algo seu do que eu

E se me reduzirem a um corpo caído no chão em meio a uma multidão 

O que resta é você.