Eu tenho a sensação
De que se arrancarem-me as mãos
Os braços
As pernas
Cortassem meus pés
A pele
Quebrassem osso por osso
E eu enfim deixasse o meu corpo
Seria em vão
A não ser que estejam procurando por você então
O anseio pelas suas mãos
O conforto conhecido pela forma em que seus olhos se encontram comigo
Seria em vão
A dolorosa sensação de saber que sou muito
Mas ainda não sou seu anseio
As únicas fotografias, todas da mesma noite
Única em que te disse o que passa dentro de mim
E que passa até hoje
As vírgulas que você me deu
Palavras que nem o tempo entendeu
Cada pedaço meu é seu
Sou mais algo seu do que eu
E se me reduzirem a um corpo caído no chão em meio a uma multidão
O que resta é você.