Caminho em passos largos no deserto;
Deixei para trás o que me foi dado por certo.
Amofinada pelo duro sol da tarde;
Estou em busca de um destino chamado Verdade.
Nem toda a gente é chamada para este lugar;
Há quem queira se desviar por atalhos mais perigosos.
Prefiro caminhar refletindo no seu luar;
Do que arrastar comigo pedintes melindrosos.
O sol queima com mais força e fulgor
e eu prossigo sem temor;
Foi neste mesmo caminho que descobri,
o porquê de tantas bofetadas que nem mereci.
Neste deserto que percorro,
já acudi algumas vozes gritando por socorro.
Essas vozes insistem em gritar sem mudar
e eu prossigo o meu caminho sem hesitar.
É mais fácil elas seguirem o meu rasto,
quando avistarem a minha miragem na terra prometida.
É pela bênção divina que me arrasto,
não pela presença do Homem que me intimida.
Há serpentes e escorpiões a atacarem-me no escuro;
Felizmente que lhes sei discernir as vozes e o seu sussurro.
Cambaleio quase inclinada para a caída,
mas é no despoletar da luz que encontro a saída.
Não receio da fome nem das privações;
Há muito, que me acostumei a abdicar de situações.
Para não ter de carregar um fardo em demasia;
Até ao outro lado da margem ou da periferia.
Eu já me acostumei às condições deste deserto,
mas está na hora de avançar com mais preceito.
Aprendi a apreciar a luz, a simplicidade e o luar.
Só preciso de um pouco mais de combustível para o enfrentar.