Não houve explosão.
Não houve lágrima no meio da conversa.
Não houve tentativa de te convencer.
Houve calma.
Uma calma que não nasceu da paz,
mas do esgotamento.
Eu não estava mais discutindo para ser ouvida.
Não estava mais explicando o que doía.
Não estava mais esperando que você entendesse.
Eu só estava lúcida.
Você falava, e eu escutava sem tentar traduzir.
Sem tentar justificar.
Sem tentar salvar.
Pela primeira vez, eu não queria mudar nada.
E foi aí que eu senti algo diferente.
Não era indiferença.
Era frio.
Um frio sereno de quem finalmente aceita que aquilo não vai aquecer mais.
Eu olhei para você
e não vi futuro.
Não vi esforço.
Não vi escolha.
E, pela primeira vez, eu também não ofereci.
Eu não estava brava.
Eu não estava implorando.
Eu estava inteira.
E quando eu fui embora dessa vez,
não havia esperança escondida.
Havia silêncio.