Ousei ler de uma poetisa
Sobre poemas serem borboletas de um colecionador vulgar,
E ouso pensar que o poema vai além do animal,
Pois lê-se no poema tudo aquilo que a poesia pode ser:
Lê-se as horas em um poema;
Lemos as flores e sobre seu perfume;
Percebemos as cores;
Ouvimos música;
Conversamos sem temores com a própria morte;
Compreendemos outros tempos, cenários, formas, descontentamentos, revoluções!
Ah, não é tão breve assim,
O poema — para mim — não cabe em forma culta,
Não se prende em papéis passados,
Ele jaz no cérebro e na memória aquém do tempo
Que lhe foi dado,
Então, bela Rita
Você tem sua parte de razão,
Pois o poema além da vida e da morte
Carrega na metamorfose da anatomia
(também)
A digressão.