Paulo Silva

Carta aberta para Rita Rosas

Ousei ler de uma poetisa

Sobre poemas serem borboletas de um colecionador vulgar,

E ouso pensar que o poema vai além do animal,

Pois lê-se no poema tudo aquilo que a poesia pode ser:

Lê-se as horas em um poema;

Lemos as flores e sobre seu perfume;

Percebemos as cores;

Ouvimos música;

Conversamos sem temores com a própria morte;

Compreendemos outros tempos, cenários, formas, descontentamentos, revoluções!

Ah, não é tão breve assim,

O poema — para mim — não cabe em forma culta,

Não se prende em papéis passados,

Ele jaz no cérebro e na memória aquém do tempo

Que lhe foi dado,

Então, bela Rita

Você tem sua parte de razão,

Pois o poema além da vida e da morte

Carrega na metamorfose da anatomia

(também)

A digressão.