Fábio Marinho

Urro

É teu! Sou teu... e mesmo que não seja
O escuro nos protege e nos habita!
Orbita a minha língua sem defesa
Tão dentro que lambuso a tua vida!

Sorria nessa boca que deseja
Verdade em toda pele corroída...
Condeno o gesto quente na bandeja
Roubar teu centro doce na lambida.


Ordeno o gesto próximo que falta:
Teu corpo mole e fácil que descamba
E que descobre dentro, vai e empurra...

Ordeno o inferno que não cessa e exalta
Enfia a força em tua perna bamba
E bate forte e teu escuro urra...