Poema: Satirismo
O mundo gira em falso tablado,
Onde o tolo se veste de rei,
E o verniz do discurso dourado
Esconde a ferida que eu já sei.
O riso aqui é lâmina afiada,
Que corta a pompa e o pedestal,
Deixa a soberba nua, desarmada,
Mostrando o avesso do fardal.
Máscaras de gesso e vaidade,
Desabam sob o peso do escárnio,
Pois a comédia expõe a verdade
Que a gravidade tenta ocultar no mármore.
Sagaz é o traço, ácida a rima,
Que desconstrói o mundo em desatino,
O palhaço, afinal, fica por cima,
Rindo do próprio e do alheio destino.